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FUNDAÇÃO DA LABRE
Foi nos idos de 1934, precisamente à 2 de fevereiro de 1934. Em São Paulo funcionava a Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão, desde 12 de fevereiro de 1931; no Rio de Janeiro funcionava a Rede Brasileira de Rádio-Amadores, desde 13 de fevereiro de 1931. Duas sociedades com os mesmos objetivos, as mesmas finalidades, a mesma vontade de servir, o mesmo espírito de fraternidade, coesão, harmonia...
Para que duas sociedades iguais?
Foi essa pergunta que fizeram a sim mesmos, os primeiros radioamadores brasileiros, congregados em cada uma daquelas sociedades.
Em 2 de fevereiro de 1934, reunidos no salão principal da União dos Empregados do Comércio do Rio de Janeiro, à Rua Gonçalves Dias, nº. 3, 3º andar, um grupo de idealistas, representando as duas sociedades, resolveram fundar a atual LABRE.
A ATA DA CRIAÇÃO DA LABRE
Transcrição do texto da ata lavrada em 2 de fevereiro de 1934, da assembléia realizada no Rio de Janeiro, data em que se processou a fusão da Rede Brasileira de Rádio-Amadores com a Liga de Amadores Brasileiros de Radio-Emissão, mantendo-se a grafia original.
Aos dois dias do mês de fevereiro do ano de mil novecentos e trinta e quatro, no salão principal da União dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro, à Rua Gonçalves Dias, presente grande número de rádio-amadores, foi dada a presidência ao senhor doutor Henrique Dolbeth Lucas, constituindo a mesa de mais os senhores Capitão do Exército Valdemir Aranha Vieira de Vasconcelos, Capitão do Exército Armando Barcelos Perestrelo, Capitão Tenente Gastão Ruch Pereira, Doutor Carlos Lacombe e senhores César Yazbeck, Almeida Prado e Herbert Spencer Rodrigues Bandeira. - Às vinte e uma horas foi, pelo senhor presidente da Meza, aberta a sessão, fazendo, a seguir, um histórico das atividades da Liga de Amadores Brasileiros de Radio Emissão e da Rede Brasileira de Radio-Amadores e, finalmente, da fusão, que no momento se operava, das duas associações. A seguir, passou a palavra ao senhor doutor Carlos Lacombe. Este disse que encontrava-se ali com a missão de apresentar a chapa, chapa organisada de comum acordo com o máximo critério por comissões especiaes da Liga de Amadores Brasileiros de Radio Emissão e da Rede Brasileira de Radio-Amadores, a qual deveria gerir os destinos da nova Labre. Passou a seguir a ler a aludida chapa, da qual se verificou os seguintes nomes - para presidente - Doutor Henrique Dolbert Lucas; para vice-presidente - Capitão tenente José Luiz Belarti; para primeiro secretário - senhor Herbert Spencer Rodrigues Bandeira; para segundo secretário - senhor Jorge Carvalho Martins; para primeiro tesoureiro: senhor José Nogueira; para segundo tesoureiro Capitão tenente Zeta Caldas - para chefe do Departamento de comunicações - Capitão do Exército Lauro Augusto de Medeiros; digo - chefe do departamento de comunicações - Doutor Paulo Pinto Guimarães; chefe do Departamento técnico: Doutor Carlos Lacombe; - chefe do Departamento de instrução - Capitão do Exército Lauro Augusto de Medeiros; chefe do Departamento de Reserva Militar, Divisão do Exército - Capitão Armando Barcelos Perestrelo; chefe do Departamento de Reserva Militar - Divisão da Marinha - Capitão tenente Gastão Ruch Pereira; Conselho técnico - Doutor José Jonotskoff de Almeida Gomes, capitães tenentes Osvaldo de Alvarenga Gaudio e Waldemar F. Porta; suplentes - senhores Erotildes da Silva Neves e Helio Monteiro; Conselho Fiscal - senhores Pedro dos Santos Chermont, capitães tenentes Paraguassú de Sá e Teixeira Martini - suplente: - Major Eduardo Gibson. - Fazendo uso da palavra logo depois do Dr. Carlos Lacombe, o senhor Cesar Yazbeck propoz que, dada a idoneidade mais que conhecida dos componentes da chapa apresentada pelo Doutor Carlos Lacombe, em nome das comissões que a organisaram, fosse a mesma aclamada pelos presentes. Submetido pelo senhor presidente à aprovação a proposta do senhor Carlos Yazbeck foi a mesma aprovada unanimemente, sendo a chapa vitoriosa e a diretoria eleita por aclamação. A seguir, o senhor presidente usando da palavra, propoz aos presentes que fosse prestada uma homenagem à memória saudosa do velho radio amador PY2AU, Doutor José de Azevedo, recentemente falecido. Assim pedia que todos ficassem de pé, em completo silêncio, durante um minuto. Continuando, o senhor presidente propoz, ainda que fosse prestada ali mais uma homenagem a um veterano do Éter. Propunha a assembléia que fosse dado o título de socio honorario ao senhor Cesar Yazbeck, que foi um dos fundadores do amadorismo no Brasil. Fez, a seguir, um breve histórico da atividade do senhor Cesar Yazbeck, que ali se encontrava, juntamente com o senhor Almeida Prado, por delegação dos amadores de São Paulo. Submetida à aprovação a proposta do Doutor Dolbert Lucas, foi a mesma aprovada pela assembléia, unanimemente, seguida de uma salva de palmas. Prosseguindo, o senhor presidente teve palavras de reconhecimento para com a comissão elaboradora do Decreto numero vinte e um mil cento e onze e, em particularmente, para a Comissão Técnica de Radio. Realçou a boa vontade que sempre encontrou por parte do senhor Comandante Pereira das Neves e Capitão Valdemir Aranha, na elaboração do Regulamento dos radios-amadores e na constituição da parte relativa às reservas militares. Agradeceu a colaboração do senhor capitão Armando Barcelos Perestrelo e, bem assim, da aceitação daquele oficial e do senhor comandante Gastão Ruch para as chefias das Divisões do Exército e da Marinha do Departamento da Reserva Militar. Prosseguindo, o veterano dos amadores, senhor Vasco Abreu, em brilhante oração, fez um historico do radioamadorismo no Brasil e do papel que ele representava numa nação. Prosseguindo, pediu que, atendendo aos relevantes serviços prestados pelo Doutor Henrique Dolbert Lucas, fosse o mesmo, também premiado com o título de socio honorario. A oração do senhor Vasco Abreu, foi abafada por uma salva de palmas. A seguir, pedindo a palavra, o Doutor Dolbert Lucas agradeceu a honra da lembrança do senhor Vasco Abreu mas disse que pedia licença para, presentemente, não aceitar tal indicação. Era, disse o doutor Lucas ainda inoportuna e que futuramente sim, a aceitaria. Disse, ainda, que si alguem ali fosse merecedor ainda de tal título esse seria o grande e incansável batalhador pelo radio no Brasil, o Dr. Carlos Lacombe. Voltando, novamente a fazer uso da palavra, o senhor Vasco Abreu, persistiu, em vibrantes termos, na sua proposta. Prosseguindo, o senhor presidente fez ciente aos presentes o seu sincero reconhecimento aos serviços prestados, como verdadeiro amador, pelo senhor Capitão Waldemir Aranha Meira Vasconcelos, PY1BZ, cuja atividade e boa vontade muito concorrerão a realisação da solenidade daquele momento. Fazendo uso da palavra, o senhor Capitão Valdemir Aranha disse que agradeceria sinceramente as palavras do doutor Lucas mas, que si alguma coisa havia sido feito foi graças ao valioso concurso dos doutores Lucas e Lacombe e que, tal reconhecimento já se encontrava no espírito dos presentes através das palavras do Senhor Vasco Abreu. Prosseguindo, o Comandante Luiz Belart, levantou-se e propoz aos presentes que fosse dado aos doutores Henrique Dolbert Lucas e Carlos Lacombe o título de socios honorarios da Liga de Amadores Brasileiros de Radio Emissão. Uma salva de palmas secundou a aprovação unanime da proposta do senhor Comandante Belart. Continuando, o senhor presidente declarou que ia encerrar a sessão visto nada mais, no momento ter a tratar e ninguem mais deseja fazer uso da palavra, agradecendo o comparecimento de todos os presentes e convocando nova Assembléia para sábado, dia tres de fevereiro de mil novecentos e trinta e quatro, as dezeseis horas e trinta minutos, para posse da Diretoria recem-eleita. A sessão foi suspensa às vinte e tres horas.
Segue-se uma relação com a assinatura de 47 pessoas presentes na assembléia.
As pessoas presentes foram: Dr. Henrique Dolbeth Lucas, José Luiz Belarti, Herbert Spencer Rodrigues Bandeira - PY1BL, Jorge Carvalho Martins, José Nogueira, Zetho Cardoso Caldas - PY1MZ, Paulo Pinto Guimarães - PY2NX, Dr. Carlos Gooda Lacombe - PY1AC, Lauro Augusto de Medeiros, Armando Barcelos Perestrelo, Gastão Mathias Ruch Pereira - PY1MD, Dr. José Jonotskoff de Almeida Gomes - PY1AA, Osvaldo de Alvarenga Gaudio, Waldemar F. Porta, Erotildes da Silva Neves, Helio Monteiro, Pedro dos Santos Chermont - PY1AD, Carlos Paraguassú de Sá - PY1CY, Luiz Teixeira Martini, Major Eduardo Gibson, Cesar Yasbeck - PY2AG, Alfredo Almeida Prado, Antonio Quirino de Macedo, Edgard Segadas Viana, Mario Ferraz Sampaio, Alvaro Geraldo Lorena Martins - PY1MX, João Vitório Aranha Neto, Ajax Moreira Veras, Waldemir Aranha Meira Vasconcelos, Horácio de Oliveira Couto, Raimundo Romualdo Martins, Fernando Marinho Guimarães, Alfredo João do Amaral - PY1EC, Alvaro Izeck, José Lira Tavares, Fernando Walter, José Martins - PY1AM, Antonio Nascimento Vellasco - PY1MJ, Guilherme Manes - PY1CN, Vasco Abreu - PY1AW, Jorge Novais Banitz, Theotonio Gadelha, Alberto Byngton Junior, George C. Sarem, Waldemar de Figueiredo Costa - PY1CV, Lindolpho Rocha e João Hirsch Marcolino Fragoso - PY1DA.
PIONEIROS RADIOAMADORES CATARINENSES
TUDO COMEÇOU A 70 ANOS
Nos idos de 1930, já funcionavam no País, a despeito das dificuldades materiais e técnicas e à revelia de quaisquer normas jurídicas, várias estações de radioamadores.
Tais estações de construções caseiras, dos tempos heróicos do radioamadorismo, operaram verdadeiros milagres em matéria de DX. Os recursos disponíveis exigiam verdadeiros prodígios de improvisação. Mas, foi graças à pertinácia desses pioneiros, que o radioamador dos nossos dias tem a sua disposição toda uma gama de equipamentos sofisticados e recursos apenas limitados por sua imaginação e sua disponibilidade financeira.
Assim é que, no ano de 1935, quando foram baixadas as primeiras normas legais específicas, já funcionavam em Santa Catarina sete estações, das quais quatro na cidade de Joinville e uma nas cidades de Blumenau, São Francisco do Sul e Itajaí.
As estações legalmente licenciadas eram operadas por PY2QB, João Medeiros Júnior, de Blumenau; PY2QC, José Ferreira de Barros, de São Francisco do Sul; PY2QE, Sadi Rollim Magalhães, de Itajaí; PY2QD, Rodolfo Alexandre Schlemm; PY2QF, Wolfgang Brosig; PY2QG, Abílio Gonçalves e PY2QH, Átila Lopes Trovão, todos de Joinville.
Esses colegas foram os pioneiros do radioamadorismo em Santa Catarina. A eles pertence a glória de terem plantado a semente da árvore frondosa em que se transformou a LABRE em nosso Estado.
Foi em 1936 que, estando o País dividido em nove distritos, dos quais o 5º compreendia os Estados de Santa Catarina e Paraná, passaram os prefixos iniciais, de PY2 para PY5.
Posteriormente, ainda em 1936, foram os distritos transformados em Regiões, quando então fomos definitivamente integrados à 5º Região.
O crescimento, nos primeiros anos, foi lento e obstinado.
Em 1948 contava o Estado com 25 radioamadores. Os PY5 catarinenses estavam subordinados administrativamente à Delegacia da Região, sediada em Curitiba. Na oportunidade esboçou-se um movimento, reivindicando autonomia administrativa para Santa Catarina. O então único colega radioamador sediado na Capital, PY5QX, Percival Callado Flores, prefixado em 1940, gestionando junto ao Delegado Regional, PY5AS, Major Carlos Ciola Gambus e contando com o apoio da LABRE CENTRAL, reuniu no dia 13 de maio de 1948, os labreanos presentes em Florianópolis, na Confeitaria Chiquinho, convidando-os a participarem da fundação da LABRE de Santa Catarina. No dia 11 de junho do mesmo ano, Percival foi eleito o seu primeiro delegado.
Percival foi convidado para fazer frente aos trabalhos de criação da LABRE-SC.
A LABRE-SC, seria criada a partir do desmembramento da LABRE-PR, sendo que Percival sempre mantinha contato com o delegado da LABRE-PR sobre o assunto.
Mesmo antes da fundação da LABRE-SC, por aproximadamente dois anos e meio, Percival fazia o envio dos cartões QSL dos radioamadores catarinenses as suas custas.
Com o aumento do volume dos cartões QSL, necessário se fez acelerar o processo e convocar eleições para que o sonho de Percival se tornasse realidade - o de Fundar a LABRE no Estado de Santa Catarina.
A Eleição teve como resultado o que todos já esperavam, Percival Calado Flores, foi eleito como presidente.
A propósito, vale a pena relembrar alguns fatos marcantes e algumas curiosidades. O primeiro QTC falado, foi irradiado no dia 22 de agosto de 1951, na freqüência de 7.050 Khz, através de um transmissor de 200 watts, construído por PY5QX e PY5UC, Alberto Edmundo Gonçalves. Esse e os subseqüentes QTCs falados tiveram excelente audiência e receberam reportagens do interior do Estado e de cidades do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.
Essa primeira fase da LABRE em Santa Catarina, contou com a participação dedicada e efetiva dos colegas Abílio Gonçalves, PY5QC, Wilson Laus Schmitt, PY5RU, Galileu Craveiro de Amorim, PY5RX, Eurico Krobel, PY5SN e Normando Tedesco, PY5QO, sub-delegados em Joinville, Criciúma, Lages, Itajaí e Caçador.
O colega PY5QV, João Radziminski, assumiu a delegacia da LABRE em Santa Catarina a 5 de novembro de 1951. Paralizado e deformado por insidiosa enfermidade, dirigiu a LABRE de sua cadeira de rodas, com pertinácia e dedicação.
A folha de serviços prestados pela LABRE de Santa Catarina à comunidade, certamente registra expressivos episódios de civismo, abnegação e trabalho. O lema “Quem não vive para servir, não serve para viver” sempre pautou a atuação dos nossos legítimos radioamadores. A oportunidade de cultivar novas amizades, de eliminar o formalismo do relacionamento entre as pessoas, cada vez mais encurta as distâncias entre os homens de boa vontade.
E é neste momento, em pleno século XXI, dispondo de todas as facilidades que o vertiginoso avanço tecnológico coloca ao nosso alcance, que devemos reverenciar com o maior respeito e admiração, os colegas que, lutando com toda a sorte de dificuldades e carências, a 70 anos, deram partida ao movimento que hoje reúne a grande família radioamadorística.
Texto publicado na Revista Blumenau QRV, edição comemorativa da XXIV Concentração de Radioamadores da 5a. Região, realizada em Blumenau-SC, de 24 a 26 de outubro de 1980.
O VHF EM SANTA CATARINA
Até o início de 1979, o VHF em Santa Catarina era praticado por grupos isolados de radioamadores de Joinville, São Francisco do Sul, Itajaí, Blumenau, Florianópolis e do sul do Estado. Entre os pioneiros pode-se citar PP5WB, PP5RG, PP5AZ, PP5HD, PP5LS, PP5AJ, PP5DM, PP5MQ, PP5AJB, PP5WH, PP5WI, PP5GA, PP5YC, PP5RV e PP5AQM.
Esses primeiros contatos em FM nos 2 metros bem como o acionamento das repetidoras de Curitiba e, nas inversões térmicas, do Rio e de São Paulo, entusiasmou a diretoria do CRAJE - Clube de Radioamadores de Joinville, a iniciar estudos, visando implantar uma repetidora que viesse motivar o povoamento do segmento de 144 a 148 MHz pelos radioamadores de Santa Catarina.
Graças ao apoio recebido na época dos colegas PP5WI - Leon (Florianópolis), PY5BK - Chasko e PY5NV - Nei (ambos de Curitiba), durante a realização da Concentração de Joinville em outubro de 1978, funcionou em caráter experimental, no Morro da Boa Vista a repetidora 145.850 - 600 MHz. Os resultados foram insatisfatórios, devido a pouca altitude do Boa Vista (250 metros) e o alcance limitado a 50 km.
Baseados nos resultados de uma experiência bem sucedida, de acionamento de repetidoras do Rio, São Paulo e do Paraná e de comunicações diretas com cidades do norte de SC e vale do Itajaí, a partir do Morro do Cachorro, em Blumenau, onde a TV Coligadas Canal 3 tem o seu transmissor, local com altitude de 830 metros em relação ao nível do mar, as atenções dos radioamadores catarinenses voltaram-se para esse local.
Para a instalação da repetidora foi realizada uma cooperativa, com um fundo especial liderado pelo CRAJE, que requereu a licença junto ao DENTEL e contribuiu com CR$ 12.000,00 para o projeto, sendo o restante do custo de aquisição e instalação (CR$ 60.000,00) cobertos por participações voluntárias de CR$ 1.000,00 dos associados do CRAJE e colegas de outras cidades.
Os resultados da iniciativa foram surpreendentes e graças à colaboração da TV Coligadas de Blumenau, na pessoa do técnico Acyr Aguiar - PP5WFM e ao trabalho da equipe de radioamadores interessados, na histórica data de 17.03.79 entrava no ar a PP5001 - CRAJE, no Morro do Cachorro, repetidora pioneira de Santa Catarina, em 145.800 - 600 MHz.
Devido a falta de duplexador e de pequenas munhecadas dos neófitos em instalação de repetidoras, os primeiros 3 meses foram de dificultosos ajustes, resultando em várias viagens de Júnior - PP5AJ de Joinville ao Morro do Cachorro (180 km ida e volta) e a coragem e dedicação do Maurici - PP5AQM, a ajuda de Acyr - PP5WFM, Landolino - PP5LS, Toninho - PP5AZ e outros. Cabe lembrar que PP5AQM - Maurici, foi o único colega com coragem de subir ao topo da torre da TV Coligadas (42 metros) e lá instalar a antena de transmissão da repetidora.
Em maio de 1979 a freqüência da repetidora PP5001 foi modificada para 145.820 - 600 MHz e a partir de então o seu alcance normal, que é Curitiba-Florianópolis no sentido Norte-Sul e Itajaí-Trombudo Central no sentido Leste-Oeste, deixou de coincidir com a freqüência de repetidoras de São Paulo e Rio, possibilitando, nas inversões térmicas, também a colegas do Sul do Estado bem como de São Paulo e do Rio a realizar QSO's via Morro do Cachorro.
Graças ao sucesso total da PP5001, o tráfego passou a ser intenso e novos colegas aderiram ao VHF, o que levou os pioneiros, em memorável reunião realizada em Blumenau a 02.09.79 a organizar nova cooperativa para a aquisição de uma segunda repetidora, tendo sido escolhido como local o Morro do Brilhante (entre Brusque e Itajaí), sob a coordenação do CRAB - Clube de Radioamadores de Brusque. Na histórica data de 02.12.79, entrava no ar a repetidora do Brilhante, na freqüência de 146.730 - 600 MHz.
A exemplo da primeira, os primeiros meses foram difíceis, devido a infra-estrutura disponível no local, o que levou o dedicado colega Maurici - PP5AQM a subir várias vezes ao Morro do Brilhante, acompanhado dos colegas de Brusque (Cavaco - PP5WRS, Heinz - PP5WHW, Osny - PY5TB) até que, graças ao apoio da RBS - Rede Brasil Sul de Comunicações, na pessoa do colega PP5AV - Cleto Carioni, foram definitivamente instaladas as antenas e o repetidor.
A repetidora do Brilhante serviu para aproximar principalmente os colegas de Florianópolis que passaram a ter melhores condições de acionamento. Teve importante papel comunitário, quando do trágico acidente do avião da Transbrasil, no Morro da Virginia, em Florianópolis.
Os colegas do Sul do Estado acompanhavam com interesse os excelentes resultados obtidos com os dois repetidores do Norte de Santa Catarina e, como resultado de uma promoção regional, em 29.12.79 entrava no ar a Repetidora de Tubarão, no Morro do Camisão, na freqüência de 146.760 - 600 MHz. Participaram da instalação da mesma os colegas do sul, PP5GA - Geraldo, PP5WDI - Edi, PP5WNF - Carlos e os colegas PP5JS - Schneider (Florianópolis), PP5WOZ - Cassiano (Blumenau), PP5AJ - Júnior (Joinville), PY2TWL - Carlos Augusto (São Paulo, atual PP5CS). O TV Clube de Tubarão emprestou a sua infra-estrutura para a instalação da terceira repetidora de Santa Catarina.
Considerando que a essa altura, uma repetidora de VHF não era mais segredo, os colegas de Florianópolis PP5YF - Edson, PP5EE - Eduardo, PP5WKS - Conrado, PP5WI - Leon, PP5VV - Evilásio, PP5JS - Schneider, PP5LB - Brasil e tantos outros, conseguiram, no dia 10.04.80 colocar no ar, em 147.000 - 600 MHz, a repetidora do Morro da Cruz, de Florianópolis, com a adaptação de dois transceptores digitais e um amplificador linear, funcionando como um repetidor. O sucesso foi total com tecnologia barriga-verde.
A cada dia que passa, os radioamadores vão se integrando mais e mais, servindo às suas comunidades sempre que necessário. A integração regional é utilizada para encontros fraternos, divulgação dos QTC's falados de PT2AA e PP5AA e aulas de telegrafia.
Novas repetidoras e experiências hão de vir em Santa Catarina, visando o progresso das telecomunicações em um radioamadorismo integrado, pois, como disse Hiran Percy Maxim, o grande presidente fundador da ARRL, “há sempre uma nova maneira de ver as coisas e de senti-las”. E assim, foi escrita mais uma página da história do radioamadorismo em Santa Catarina.
Álvaro Tancredo Dippold Júnior - PP5AJ
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